IG News Goiás
Geral

55 pessoas são resgatadas de trabalho escravo em Goiás após promessa de salário de R$ 10 mil

Vítimas foram aliciadas na Bahia e em Minas Gerais para extração de palha de milho

Publicado em 26/07/2026, 10:05
55 pessoas são resgatadas de trabalho escravo em Goiás após promessa de salário de R$ 10 mil

Uma operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 55 trabalhadores — entre eles 9 mulheres — submetidos a condições análogas às de escravo em Cezarina, no sul de Goiás. O grupo, vindo da Bahia e de Minas Gerais, foi atraído por falsas promessas de faturamento mensal que variava entre R$ 6 mil e R$ 10 mil para atuar na extração de palha de milho para fabricação de cigarros.

A fiscalização, que contou com o apoio da Polícia Militar e da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (SEDS), constatou um cenário de grave precariedade e descumprimento de direitos básicos. Durante o período de 50 dias em que ficaram à disposição do contratante, os operários só trabalharam efetivamente por 10 dias. Nas frentes de trabalho, não havia local adequado para refeições nem fornecimento de água potável por parte do empregador.

Além da falta de estrutura, os trabalhadores enfrentavam atrasos constantes no pagamento de salários. Cerca de 150 pessoas haviam sido recrutadas inicialmente, mas aproximadamente 100 abandonaram a atividade e retornaram por conta própria devido às privações, mesmo sem receber os valores devidos. Os 55 resgatados continuavam no local por falta de recursos financeiros para custear as viagens de volta.

Diante do calote do empregador, o Ministério do Trabalho arcou com a compra das passagens de ônibus na Rodoviária de Goiânia para que os trabalhadores pudessem retornar aos seus estados de origem. Cada uma das vítimas receberá três parcelas do seguro-desemprego no valor de R$ 1.621,00.

O MPT vai ajuizar uma Ação Civil Pública na Justiça do Trabalho para cobrar as verbas rescisórias e reparações por danos morais individuais e coletivos. Já o responsável pela exploração será autuado pelas infrações e poderá ter o nome incluído no Cadastro de Empregadores que submetem pessoas a trabalho escravo, a chamada “Lista Suja”. O caso também foi encaminhado à Polícia Federal para apuração dos crimes de aliciamento, tráfico de pessoas e redução à condição análoga à de escravo.

Mais de Geral