Um homem de 24 anos, identificado como Mateus Felix dos Santos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar na tarde desta segunda-feira (13), em Goiânia, suspeito de maus-tratos e cárcere privado contra o próprio "pai adotivo", um idoso de 66 anos. O caso de extrema crueldade foi descoberto após a vítima, Airton Alves Calixto, dar entrada na UPA do Jardim Novo Mundo em estado gravíssimo de saúde.
Desconfiado das condições em que o idoso chegou à unidade de saúde, o médico responsável pelo atendimento acionou imediatamente a Polícia Militar através do COPOM.
Cenário de horror e desumanidade
Ao chegar na UPA, a equipe policial constatou a gravidade da denúncia. De acordo com o relatório médico, Airton encontrava-se em estado geral grave, quase sem responder a estímulos externos.
O idoso apresentava um quadro severo de caquexia (perda extrema de peso e massa muscular), desidratação e desnutrição profunda. Além disso, a vítima tinha diversas lesões graves pelo corpo, incluindo feridas abertas com secreção purulenta e forte odor na região sacral e glútea, além de secreção na cavidade oral.
Isolado da família
No hospital, os policiais interrogaram as irmãs da vítima, Ana Calixto Aguiar e Renilde Calixto Aguiar. Elas revelaram que Mateus era o único responsável pelos cuidados de Airton, mas que ele vinha dificultando e impedindo sistematicamente as visitas dos parentes.
Ao ser confrontado pela equipe policial, Mateus confirmou que cuidava do idoso e confessou uma prática chocante: ele admitiu que os familiares de Airton só tinham permissão para vê-lo se olhassem do lado de fora, através de uma janela da residência.
Prisão em flagrante
Diante do cenário de abandono e sofrimento, o Delegado de Polícia, Dr. Eduardo Soares Carrara, determinou a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante contra Mateus Felix dos Santos.
Ele foi autuado com base no artigo 99, §1º, do Estatuto da Pessoa Idosa (expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes, resultando em lesão corporal de natureza grave). O jovem permanece preso e à disposição do Poder Judiciário.