IG News Goiás
Polícia

Mãe sentiu dor no peito horas antes de filha ser morta em chacina; irmã faz desabafo emocionante

Familiar revelou comportamento controlador de atirador e fez apelo às mulheres

Publicado em 30/07/2026, 08:02
Mãe sentiu dor no peito horas antes de filha ser morta em chacina; irmã faz desabafo emocionante

A dor e a comoção tomaram conta de familiares e amigos durante o velório de Jainy Barbosa, realizado na manhã desta quinta-feira (30), em Aparecida de Goiânia. A jovem é uma das três vítimas da chacina cometida, segundo a polícia, pelo agrônomo Leonardo José de Araújo em um rancho na zona rural de Goiatuba. Marcada pelo luto e pela revolta, a irmã de Jainy quebrou o silêncio no local da despedida para pedir justiça e fazer um apelo urgente a todas as mulheres sobre os perigos de relacionamentos tóxicos e abusivos.

"Eu espero justiça. Três famílias em luto, é só isso que eu peço. E também faço um alerta para todas as mulheres: cuidado, tem muitas indo por conta de relacionamento abusivo. Vocês que sofrem, denunciem! Não fiquem com a pessoa, saiam. Minha irmã hoje está no caixão e hoje não podemos fazer nada por ela", desabafou a irmã durante a cerimônia, destacando o carinho que tinha pela jovem, descrita por ela como uma pessoa carismática e afetuosa.

Sinais de controle e intuição de mãe

A irmã relatou que, durante os dois anos de relacionamento com o atirador, Jainy já dava sinais de que vivia sob forte pressão psicológica. Segundo o relato, quando a jovem falava ao telefone com o suspeito, costumava sussurrar e falar baixo, "como se estivesse sofrendo", enquanto ele exigia saber onde e com quem ela estava.

Jainy não morava em Goiatuba e tinha ido ao município apenas a passeio para curtir uma vaquejada com amigas. Horas antes do crime, a mãe das jovens chegou a ter um preentimento. Sentindo uma dor no peito, a mãe enviou uma mensagem de áudio por volta de meio-dia perguntando se Jainy estava bem. Cerca de quatro horas depois, Leonardo telefonou para a mãe da vítima se despedindo e anunciando que mataria a jovem e tiraria a própria vida.

Na chamada macabra, o suspeito ainda passou o telefone para Jainy, que com a voz rouca de chorar conseguiu apenas dizer: "Mãe, me ajuda! Me perdoa! Eu te amo, mãe. Eu vou morrer".

A reconstituição e as homenagens

As investigações da Polícia Civil revelaram a extrema crueldade do crime. Inconformado com o fim do namoro e motivado por ciúmes, o agrônomo descobriu o paradeiro dos jovens por conhecidos. Na chácara, ele executou Nahtan Campos e Beatriz Soares de Souza. Jainy levou um primeiro tiro ainda no local e foi colocada à força no carro do ex. Durante o trajeto, ao perceber que a vítima tentava pedir socorro à família, Leonardo descarregou a arma, efetuando mais quatro disparos contra ela.

Antes da chacina, o atirador transferiu R$ 8 mil via Pix para a ex-esposa destinados ao seu próprio velório e ligou para ela confessando o massacre. Em seguida, atirou contra o próprio peito e permanece internado sob escolta policial na UTI do HUGOL, em Goiânia.

As cerimônias de despedida reúnem familiares e amigos em três cidades distintas: o corpo de Beatriz foi sepultado em Nerópolis, o velório de Nahtan ocorreu em Goiatuba, e o despedida de Jainy é realizada nesta quinta-feira (30), em Aparecida de Goiânia.

Mais de Polícia