Emiliane Tamara contou que agressor usou pano com substância química na boca e no nariz. TJGO alegou falta de provas recentes para negar medidas protetivas solicitadas em 2026.
Emiliane Tamara, de 24 anos, relatou novos detalhes das agressões que afirma ter sofrido durante o período em que ficou em poder do ex-marido. Segundo ela, o homem teria usado um pano ensopado com uma substância desconhecida para impedir que ela respirasse e teria colocado o material em sua boca e no nariz. Emiliane contou que ficou desacordada e sofreu lesões na garganta.
“Ele colocou na minha boca e no meu nariz. Comigo gritando, ele enfiou o pano todo dentro da minha boca, que eu também estou com lesões na garganta. Com isso, eu fui desfalecendo, fui apagando”, relatou.
A mulher também afirmou que procurou as autoridades diversas vezes antes do cárcere e que chegou a registrar cerca de dez boletins de ocorrência contra o ex-marido. Segundo Emiliane, mesmo após relatar que temia pela própria segurança, não se sentiu protegida.
“Eu falava: ‘Gente, ele vai me machucar, ele está me machucando’. Ele soltou as rodas do meu pneu para eu capotar e morrer, e ninguém nunca olhou para mim”, afirmou.
TJGO diz que houve medidas protetivas e procedimentos judiciais
O IG News GO procurou o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que informou que Emiliane esteve envolvida em diferentes procedimentos judiciais relacionados ao ex-marido.
Segundo o tribunal, uma medida protetiva de urgência foi concedida em dezembro de 2020, com validade de 180 dias. Em abril de 2021, porém, durante um inquérito policial, a própria vítima teria manifestado formalmente desinteresse na continuidade da investigação e se retratado da representação criminal.
O Ministério Público pediu o arquivamento do inquérito por ausência de justa causa. O pedido foi acolhido pela Justiça, que também determinou a revogação e o arquivamento da medida protetiva. O arquivamento definitivo foi certificado em setembro de 2021.
Ainda conforme o TJGO, em 2026 Emiliane apresentou um novo pedido de medidas protetivas, relatando episódios ocorridos entre dezembro de 2025 e março deste ano. Entre os fatos estavam danos a uma câmera de segurança, o lançamento de artefatos explosivos nas proximidades da residência e o afrouxamento dos parafusos do veículo.
De acordo com o tribunal, Emiliane afirmou não ter certeza sobre a autoria dos episódios e apenas suspeitava do envolvimento do ex-marido. Depois, relatou uma invasão à residência, destruição de câmeras e pichações no muro, mas, segundo o TJGO, não foram apresentados elementos que vinculassem diretamente o ex-companheiro aos fatos.
O Ministério Público opinou pelo indeferimento do pedido, e a Justiça negou as medidas protetivas por entender que não havia elementos objetivos suficientes para demonstrar a atualidade do risco e a ligação do homem aos episódios relatados. A decisão, segundo o tribunal, deixou aberta a possibilidade de um novo pedido caso surgissem fatos novos e concretos.
O TJGO informou ainda que existem outros procedimentos judiciais envolvendo as partes, sendo um de natureza cível e outro que tramita em segredo de Justiça.
Relembre o caso
Emiliane foi localizada na sexta-feira (21), após cinco dias de buscas realizadas pelas forças de segurança. Ela foi encontrada em uma residência no bairro América III, em Águas Lindas de Goiás.
Segundo as autoridades, a mulher estava amordaçada e acorrentada e apresentava ferimentos pelo corpo. No imóvel, os policiais apreenderam algemas, correntes, cordas e medicamentos sedativos.
O ex-marido foi preso em flagrante e levado para a Delegacia de Polícia Civil de Águas Lindas de Goiás. Conforme informações divulgadas pela polícia, ele foi autuado pelos crimes de sequestro, estupro e cárcere privado.
Após o resgate, Emiliane recebeu atendimento médico e, depois de receber alta, gravou um vídeo para tranquilizar familiares, amigos e pessoas que acompanharam as buscas. Na ocasião, ela também pediu justiça.