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Caiado ataca Lula, defende anistia e demonstra incômodo ao ser questionado sobre Previdência: “Não é uma mesa examinadora”

Candidato do PSD propôs força policial sul-americana e teto de gastos por PEC, enquanto rebateu cobranças sobre metas econômicas e focou em embates políticos

Guilherme Martins

Goiânia, GO - IG News Goiás

Publicado em 26/08/2026, 10:04
Caiado ataca Lula, defende anistia e demonstra incômodo ao ser questionado sobre Previdência: “Não é uma mesa examinadora”

O candidato a presidente Ronaldo Caiado (PSD) protagonizou momentos de forte tensão durante a entrevista exibida pela TV Globo na noite de terça-feira (25). Na sabatina conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, o ex-governador de Goiás ficou incomodado ao ser cobrado por propostas econômicas concretas. Em uma participação marcada pela defensiva, o político preferiu focar a conversa em ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na defesa do perdão aos condenados pelo 8 de janeiro. No entanto, o candidato deixou de lado o assunto que mais projetou o nome dele nacionalmente: a gestão da segurança pública em Goiás.

O momento de maior atrito no estúdio aconteceu quando Renata perguntou sobre o envelhecimento da população e quais mudanças específicas seriam feitas nas regras de aposentadoria. "Nós não estamos aqui em uma mesa examinadora", disparou Caiado. Diante da resposta de Tralli, que lembrou que a entrevista servia justamente para apresentar propostas ao eleitor, o candidato rebateu: "Mas não é uma mesa examinadora de um detalhe da economia". O ex-governador disse que pretende consultar especialistas para avaliar a Previdência, mas recusou-se a indicar qualquer número ou idade mínima.

Ataques a Lula, debate sobre anistia e recuo na segurança

Em vez de aproveitar o espaço de alta audiência para expor os dados de redução da criminalidade em Goiás — cartão de visitas de todo o mandato no estado —, o candidato escolheu canalizar o discurso para o embate político e ideológico contra o Palácio do Planalto.

Ao prometer que vai enviar um projeto de lei de anistia total para os presos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o candidato tentou agradar os eleitores de direita. Porém, ao comparar essa medida com a anulação dos processos de Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acabou preso em uma discussão jurídica complexa, sem apresentar propostas práticas para o dia a dia da população. Na área de segurança, em vez de citar as ações bem-sucedidas em Goiás, limitou-se a propor a criação de uma polícia transnacional para a América do Sul.

Teto de gastos e cobranças ao Judiciário

Na pauta econômica, Caiado prometeu enviar no primeiro dia de governo uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar o crescimento dos gastos públicos à inflação mais 50% da variação do PIB. O candidato chamou o atual arcabouço fiscal de "uma grande farsa" e defendeu uma reforma administrativa profunda para cortar altos salários nos Poderes, garantindo a manutenção da regra de reajuste do salário mínimo. Contudo, evitou detalhar quais áreas ou programas sofrerão os cortes reais de orçamento.

No encerramento da sabatina, o candidato voltou a focar o discurso no Judiciário ao pedir que o STF derrube os sigilos sobre investigações de fraudes no INSS, no caso Master e na Operação Carbono Oculto antes das eleições. A postura irritada e a falta de detalhamento em temas centrais reforçaram a avaliação de analistas sobre as falhas da campanha para converter a imagem de gestor firme em um plano de governo estruturado para o país.

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