Mauro Mayer teve ordem de prisão cancelada por falta de provas individualizadas; caso envolve empresários e movimentação de R$ 8 milhões por ano com sites falsos de conta de luz.
A Justiça do Amapá revogou, nesta segunda-feira (24), a prisão preventiva de mais um dos investigados no esquema de fraudes eletrônicas apurado pela Operação Boleto Fantasma. O Portal IG News GO teve acesso à decisão. Segundo a defesa, embora um mandado de prisão tenha sido expedido contra o suspeito, ele não chegou a ser preso, porque a ordem judicial não foi cumprida. Nas investigações iniciais, ele era apontado como operador do painel utilizado pelo grupo.
A defesa, representada pela advogada Lohane Bueno, informou que a decisão foi favorável ao pedido de revogação da prisão preventiva. Conforme a decisão judicial, não havia elementos concretos e individualizados suficientes para justificar a manutenção da medida, além de a investigação ainda não ter sido concluída em relação ao investigado.
Com a decisão, o mandado de prisão preventiva foi revogado e foram determinadas medidas cautelares diversas da prisão. A defesa afirmou que continuará acompanhando o caso e adotando as medidas necessárias para garantir os direitos do suspeito.
Outra investigada também foi solta
Mauro não é o único investigado que teve a situação prisional alterada durante o andamento do caso. Ellen Lorraine Trindade Mateus, de 27 anos, também foi presa e posteriormente solta por decisão judicial.
Ellen foi presa em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, e permaneceu detida desde 2 de julho na Penitenciária Feminina de Aparecida de Goiânia. Ela é filha de um coronel aposentado da Polícia Militar.
Segundo a defesa, Ellen teria sido vítima de um erro de identificação e o nome dela teria sido confundido com o de outra pessoa investigada. A decisão que determinou a soltura foi expedida pela juíza Cristiane Moreira Lopes Rodrigues, após pedido apresentado pela defesa e acompanhado de certidão de autenticidade.
A Polícia Civil do Amapá, entretanto, apresentou uma versão diferente. Em nota, a corporação afirmou ser falsa a alegação de que houve troca de nomes ou erro de identificação. Segundo a polícia, a prisão foi cumprida contra a pessoa corretamente identificada durante a investigação.
Operação investiga golpes com sites falsos
A Operação Boleto Fantasma investiga uma organização criminosa suspeita de aplicar fraudes eletrônicas no Amapá por meio de sites falsos de pagamento de contas de energia.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos criavam páginas que imitavam os canais oficiais da concessionária. As vítimas acreditavam que estavam pagando as próprias faturas, mas os valores eram desviados para contas bancárias e empresas ligadas ao grupo.
Ainda de acordo com as investigações, a organização tinha uma estrutura profissionalizada e dividia as funções entre criação dos sites, anúncios patrocinados, atendimento às vítimas, movimentação dos valores e ocultação de patrimônio.
Na segunda fase da operação, os investigadores apreenderam mais de R$ 5 milhões em bens e valores. Entre os itens estão um Porsche, duas BMWs, dois caminhões, outros veículos e uma moto aquática.
Também foram apreendidos equipamentos eletrônicos avaliados em mais de R$ 200 mil, além de joias, ouro, prata e um relógio Rolex avaliado em R$ 125 mil. Somente em dinheiro em espécie, foram apreendidos R$ 26 mil.
Segundo a investigação, o grupo movimentava cerca de R$ 8 milhões por ano. O caso continua sob investigação para esclarecer a participação individual dos suspeitos e identificar outros possíveis envolvidos.