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“Tenho vergonha do sistema”, diz promotor ao lembrar que suspeito de matar idosa já havia sido condenado por feminicídio

Gilberto Pessoa Limeira teve prisão convertida em preventiva após juiz classificar crime em Nerópolis como "extremamente bárbaro". Promotor destacou que acusado havia matado mulher em São Félix do Xingu (PA) em 2021.

Guilherme Martins

Nerópolis, GO - IG News Goiás

Publicado em 08/09/2026, 12:37
“Tenho vergonha do sistema”, diz promotor ao lembrar que suspeito de matar idosa já havia sido condenado por feminicídio

O promotor de Justiça Ivan Lucas afirmou, durante a audiência de custódia do homem suspeito de estuprar e matar uma idosa de 61 anos em Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia, que sente “vergonha” do sistema de Justiça. Segundo o Ministério Público, o suspeito, Gilberto Pessoa Limeira, de 41 anos, já havia sido condenado por feminicídio no Pará, mas cumpriu apenas quatro dos 16 anos de pena e estava em liberdade quando teria cometido o novo crime.

Durante a audiência, obtida com exclusividade pela Record, o promotor criticou o fato de o suspeito ter sido solto após a primeira condenação e afirmou que a nova morte poderia ter sido evitada caso ele ainda estivesse preso.

“Eu tenho vergonha de participar de um Sistema de Justiça onde ele, em São Félix do Xingu, no dia 9 de abril de 2021, mata uma mulher, joga a mulher numa vala. Em 2021, ele está solto para, em 2026, ele fazer uma nova vítima”, afirmou Ivan Lucas.

O promotor pediu a conversão da prisão em flagrante para preventiva e destacou a gravidade do crime. O pedido foi aceito pela Justiça, e Gilberto continuará preso.

Ao decretar a prisão preventiva, o juiz Matheus Giuliasse classificou o crime contra Maria Regina Ivo Costa como “extremamente bárbaro” e apontou desprezo pela vida da vítima. A defesa havia alegado que o suspeito faz uso de medicamentos controlados e deveria receber tratamento antes de permanecer preso, mas o pedido foi rejeitado.

Segundo a Polícia Civil, Maria Regina voltava de um forró quando foi abordada e levada à força para um lote baldio, a poucos metros de casa. Ela foi estuprada e morta. A investigação aponta que o suspeito permaneceu cerca de 45 minutos no local e depois retornou a um bar, onde foi preso. Toda a ação foi registrada por uma câmera de segurança, mas as imagens não serão divulgadas pela polícia.

A família de Maria Regina cobra justiça. Durante o velório, o ex-marido da vítima, que mora no Tocantins, não conseguiu reconhecê-la. A irmã dela, Edna Ivo da Silva, também relatou a dor ao imaginar o sofrimento enfrentado pela vítima durante os mais de 40 minutos em que ela permaneceu no lote.

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