Grupo utilizava fintech e sete empresas de fachada para lavar dinheiro do tráfico, movimentando R$ 320 milhões.
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), para desarticular o núcleo financeiro de uma organização criminosa com atuação no estado. A ação cumpriu 15 mandados de prisão temporária, 21 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 160 milhões.
Segundo a Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), a investigação é um desdobramento da Operação Reincidentes, realizada em novembro do ano passado, quando dez integrantes da facção foram presos por envolvimento com o tráfico de drogas e armas na região sul de Goiânia.
As investigações apontam que um integrante da alta cúpula da organização coordenava a distribuição de drogas para diferentes células da facção em Goiás e contava com três operadores financeiros responsáveis por movimentar e ocultar recursos obtidos com atividades criminosas.
De acordo com a Polícia Civil, a análise das movimentações bancárias revelou um esquema de lavagem de dinheiro que utilizava ao menos sete empresas de fachada para ocultar a origem ilícita dos valores. Em pouco mais de um ano, o grupo teria movimentado cerca de R$ 320 milhões.
A investigação também identificou a participação de uma fintech ligada ao líder da organização, que, segundo a polícia, era utilizada para receber e movimentar recursos provenientes das atividades criminosas.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam veículos, drogas, computadores, celulares e documentos que serão analisados no decorrer das investigações.
O homem apontado como integrante da alta cúpula da facção foi preso na última sexta-feira (3), ao deixar uma casa noturna no Setor Marista, em Goiânia. Conforme a Polícia Civil, ele acumula condenações que somam mais de 106 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo a banco e homicídio.
Ainda segundo a corporação, até junho deste ano o investigado cumpria pena em regime semiaberto com tornozeleira eletrônica. Após ser localizado em uma residência de alto padrão em Angra dos Reis (RJ), durante operação conjunta com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, ele rompeu o equipamento de monitoramento e passou à condição de foragido, sendo posteriormente capturado em Goiânia.
Outro investigado está preso em Portugal desde fevereiro, após ser flagrado transportando drogas no Aeroporto de Lisboa. Um terceiro alvo permanece foragido no país europeu.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização criminosa e localizar bens ocultados pelo grupo, com o objetivo de enfraquecer financeiramente a facção.