IG News Goiás
Geral

Mulher que matou marido após 15 anos de agressões é absolvida por unanimidade pelo Júri em Goianira

Diamilla Alexandra Pereira, de 40 anos, enfrentava acusação de homicídio qualificado e corria o risco de pegar até 30 anos de prisão.

Redação IG NEWS GO

Goiânia, GO - IG News Goiás

Publicado em 14/07/2026, 16:19
Mulher que matou marido após 15 anos de agressões é absolvida por unanimidade pelo Júri em Goianira

A autônoma Diamilla Alexandra Pereira, de 40 anos, foi absolvida pelo Tribunal do Júri pela morte do marido, Jean Ferreira dos Santos, ocorrida em setembro de 2018, em Goianira, na Região Metropolitana de Goiânia. A decisão foi tomada por unanimidade pelos sete jurados, encerrando um processo que durou quase oito anos.

Ao ouvir a sentença, lida pelo juiz responsável pelo caso, Diamilla chorou emocionada. A defesa afirmou que a absolvição representa o reconhecimento de uma história marcada por violência doméstica.

Histórico de violência

Segundo Diamilla, as agressões começaram ainda na infância, quando sofria violência do padrasto. Ela conta que perdeu parte da audição após apanhar repetidamente na cabeça.

Na adolescência, conheceu Jean Ferreira dos Santos. O relacionamento evoluiu para o casamento, mas, conforme relatado por ela, as agressões começaram ainda no namoro e se intensificaram ao longo dos anos.

Durante uma gestação de gêmeos, Diamilla afirma que foi espancada pelo marido quando estava com cerca de 20 semanas de gravidez e perdeu os dois bebês.

Ao longo dos 15 anos de relacionamento, ela registrou oito boletins de ocorrência contra o companheiro. De acordo com a defesa, Jean chegou a ser condenado quatro vezes por crimes praticados contra ela, mas permaneceu em liberdade.

Questionada sobre por que permaneceu no relacionamento, Diamilla disse que vivia com medo, não conseguia sair da relação e não tinha para onde ir.

O dia do crime

Segundo o relato apresentado pela defesa, no dia 9 de setembro de 2018, um domingo, Jean retornou para casa após passar dois dias fora.

Diarmilla afirma que foi novamente agredida durante horas. Depois das agressões, segundo ela, o marido adormeceu ao lado de uma faca.

Foi nesse momento que ela decidiu atacá-lo.

“Ou ele me matava ou eu matava ele”, afirmou durante entrevista.

Jean morreu no local. Diamilla foi presa em flagrante.

Prisão e processo

No dia seguinte, ela passou por audiência de custódia. Durante o depoimento, apresentava ferimentos no rosto e afirmou que as lesões haviam sido provocadas pelo marido.

Mesmo ferida e mãe de quatro crianças pequenas, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

Ela permaneceu presa por pouco mais de 30 dias e foi solta após a Justiça considerar a situação do filho mais novo, que tinha apenas dois anos e estava doente.

Fora da prisão, passou a responder ao processo em liberdade, mas enfrentou dificuldades para reconstruir a vida.

Segundo Diamilla, perdeu a casa que havia comprado, teve dificuldades para conseguir emprego e chegou a ser reconhecida por clientes em um supermercado onde trabalhava como caixa, o que levou à perda da oportunidade.

Indiciada por homicídio qualificado, ela poderia ser condenada a até 30 anos de prisão.

Julgamento

O julgamento aconteceu no mês passado, quase oito anos após o crime.

Durante o júri, a defesa apresentou aos jurados a tese de absolvição, argumentando que o caso precisava ser analisado dentro do contexto de violência doméstica vivido pela acusada.

Após cerca de sete horas de julgamento, o Conselho de Sentença, formado por seis mulheres e um homem, absolveu Diamilla de todas as acusações.

Segundo o juiz responsável pelo caso, a decisão do Tribunal do Júri é soberana e, com a absolvição, Diamilla deixa de possuir antecedentes relacionados ao processo.

Recomeço

Hoje, aos 40 anos, Diamilla tenta reconstruir a vida ao lado dos quatro filhos.

Ela conta que aprendeu a produzir pães e quitandas para garantir a renda da família e afirma que a procura pelos produtos tem aumentado.

Após quase oito anos convivendo com a acusação de homicídio, diz que encara a absolvição como a oportunidade de começar uma nova fase e oferecer aos filhos um lar marcado pelo carinho e pela tranquilidade que, segundo ela, nunca teve durante a própria infância.

Mais de Geral