A defesa afirma que ela foi confundida com outra mulher chamada "Lorraine", entregou dados bancários para provar inocência e aguarda decisão da Justiça após 18 dias de prisão.
A família da estudante Ellen Lorraine Trindade Mateus, de 27 anos, denuncia que ela foi presa por engano durante a segunda fase da Operação Boleto Fantasma, deflagrada pela Polícia Civil do Amapá. A jovem está detida há 18 dias na Penitenciária Feminina de Aparecida de Goiânia, enquanto a defesa tenta comprovar que ela não tem qualquer envolvimento com a organização criminosa investigada.
Segundo os familiares, Ellen mora em Trindade e levava uma rotina dedicada aos estudos. Formada em Teologia e em Direito, ela se preparava para prestar o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na casa onde vive com os pais, a estudante montou um pequeno escritório para estudar.
Os pais afirmam que a filha jamais participou de qualquer esquema criminoso e acreditam que ela foi vítima de um erro de identificação. Ellen é filha de um coronel da reserva da Polícia Militar de Goiás (PMGO).
De acordo com o advogado Jean Tavares, a prisão foi decretada pela Justiça do Amapá com base em uma suposta confusão envolvendo outra mulher identificada apenas como “Lorraine”. A defesa afirma que já entregou às autoridades o celular da estudante, com acesso às conversas e aos dados bancários, para demonstrar que ela não possui ligação com os investigados.
Ainda segundo o advogado, foram apresentados um habeas corpus e um pedido de relaxamento da prisão, mas, até o momento, não houve decisão da Justiça. Em nota, a defesa sustenta que Ellen está presa de forma indevida e pede a imediata revogação da medida.
Operação Boleto Fantasma
A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Boleto Fantasma, realizada pela Polícia Civil do Amapá no dia 2 de julho. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas por meio de sites falsos que simulavam a emissão da segunda via de contas de energia.
Segundo a polícia, as vítimas acessavam páginas fraudulentas, realizavam pagamentos via boleto, PIX ou QR Code e os valores eram desviados para contas ligadas ao grupo criminoso.
Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva, 22 mandados de busca e apreensão e 20 medidas de sequestro de bens nos estados de Goiás e Santa Catarina. A ação também resultou no bloqueio e apreensão de mais de R$ 5 milhões em bens e ativos, incluindo veículos de luxo, dinheiro em espécie, joias, ouro, prata, relógio Rolex, computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos.
Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação individual de cada um. Enquanto isso, a defesa de Ellen sustenta que a estudante não integra o grupo investigado e aguarda uma decisão judicial sobre o pedido de liberdade.