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Câmara de Goiânia pode denunciar Equatorial por morte de adolescente eletrocutada

Relatório final da CEI está em fase avançada e aguarda visita técnica à Aneel; concessionária nega falhas

Guilherme Martins

Goiânia, GO - IG News Goiás

Publicado em 09/07/2026, 14:042 acessos
Câmara de Goiânia pode denunciar Equatorial por  morte de adolescente eletrocutada

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, em andamento na Câmara Municipal de Goiânia, pode formalizar uma denúncia por homicídio culposo contra a Equatorial Goiás. A investigação apura a responsabilidade da concessionária na morte da adolescente Nathaly Rodrigues do Nascimento, de 17 anos, eletrocutada em setembro de 2025 no Centro da capital.

O relatório final da comissão está em estágio avançado de construção, mas a conclusão depende de uma visita técnica dos vereadores goianos à sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília. O objetivo do encontro é delimitar com precisão as atribuições de manutenção e fiscalização da rede que cabem à distribuidora, às empresas de telecomunicações que compartilham os postes e ao poder público.

Segundo o relator da CEI, vereador Geverson Abel (Republicanos), a tendência é de que a Equatorial seja penalizada em diferentes frentes no documento.

Falhas no sistema

O acidente aconteceu durante uma forte tempestade, no momento em que Nathaly saía do trabalho. Ao tentar atravessar a rua, a jovem pisou em uma poça d'água que estava energizada por um fio partido. Um amigo que a acompanhava também recebeu a descarga elétrica, mas sobreviveu.

Investigações prévias da Polícia Civil apontaram que um equipamento de religamento automático da rede elétrica disparou sucessivas vezes antes do acidente, emitindo alertas de pane no sistema da Equatorial. O procedimento padrão previa o envio imediato de técnicos ao local para vistoria, o que não aconteceu. Diante disso, três funcionários da operadora — o controlador do centro de operações, o líder de operações e o gerente de operações — foram indiciados por homicídio culposo e lesão corporal culposa.

Contraponto

Em nota oficial, a Equatorial Goiás informou que tem prestado todos os esclarecimentos e documentos solicitados pela CEI na Câmara de Goiânia.

A distribuidora rebateu as acusações de falha sistêmica e afirmou, com base em um laudo da Polícia Técnico-Científica, que o acidente esteve associado a "fatores externos ao sistema da distribuidora". A concessionária sustentou ainda que sua rede operava dentro das condições previstas de segurança e em conformidade com as normas técnicas do setor elétrico.