Deflagrada nesta quarta-feira (23) pela PCGO, ação cumpre mandados em SP com apoio do CiberLab. Esquema lesou comerciantes em mais de 220 municípios do país.
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quarta-feira (23), a Operação Fake Card, que investiga um grupo criminoso suspeito de desviar milhões de reais repassados por prefeituras para o pagamento de comerciantes credenciados em cartões de vale-alimentação e vale-refeição. A empresa investigada teria deixado de repassar os valores a milhares de estabelecimentos em todo o Brasil. A operação cumpre três mandados de prisão temporária, seis de busca e apreensão e determina o bloqueio de aproximadamente R$ 1 milhão em bens e valores dos investigados.
As ordens judiciais são cumpridas nos municípios de Barueri, Limeira e São Paulo, no estado de São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista e do CiberLab, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ao todo, participam da ação 40 policiais civis.
Investigação começou em Barro Alto
As investigações tiveram início na Delegacia de Polícia de Barro Alto, em Goiás, após comerciantes relatarem atrasos e falta de pagamentos por parte da empresa responsável pela administração dos cartões de vale-alimentação e vale-refeição dos servidores municipais.
O município repassava mensalmente os valores integrais à administradora, que deveria efetuar os pagamentos aos estabelecimentos onde os servidores realizavam compras. No entanto, a partir de meados de 2025, os repasses começaram a atrasar e foram completamente interrompidos em setembro do mesmo ano.
Somente em Barro Alto, o prejuízo aos comerciantes supera R$ 800 mil. Um dos estabelecimentos relatou perdas superiores a R$ 200 mil.
Empresa teria usado novos contratos para cobrir dívidas antigas
Segundo a Polícia Civil, a investigação apontou que o caso não seria apenas um descumprimento contratual, mas uma fraude com dinâmica semelhante à de uma pirâmide financeira.
A empresa teria vencido licitações em mais de 220 municípios de nove estados brasileiros, oferecendo descontos considerados inexequíveis, com deságios médios de 17% e que chegavam a 30,5%.
De acordo com a apuração, os valores recebidos em novos contratos eram utilizados para cobrir pagamentos atrasados de contratos anteriores. A prática teria mantido a aparência de funcionamento regular da empresa até que a entrada de novos municípios diminuísse, provocando o colapso do esquema.
Suspeitos teriam alegado ataque hacker
Quando começaram a ser cobrados pelos comerciantes, os responsáveis pela empresa teriam afirmado que o sistema havia sido alvo de um ataque hacker. Eles também teriam citado um processo criminal inexistente na Justiça de São Paulo e, posteriormente, deixado de prestar esclarecimentos.
A empresa firmou contratos com mais de 220 municípios dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Segundo a Polícia Civil, existem centenas de processos judiciais relacionados à empresa em diferentes estados.
Investigação aponta lavagem de dinheiro
A apuração também identificou indícios de que o grupo utilizava outras empresas ligadas aos investigados e contas pessoais dos responsáveis para movimentar e ocultar os valores recebidos.
A suspeita é de que essas operações tenham sido realizadas com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem dos recursos e impedir a recuperação do dinheiro.
Bens são bloqueados para ressarcir vítimas
As medidas cautelares foram autorizadas pela 3ª Vara das Garantias da Comarca de Goiânia. O bloqueio de bens e valores atinge quatro pessoas físicas e três empresas, totalizando aproximadamente R$ 1 milhão.
Entre as medidas está a indisponibilidade de seis imóveis localizados em Limeira e na cidade de São Paulo. A iniciativa busca garantir recursos para o possível ressarcimento das vítimas.
Os investigados são apurados pelos crimes de apropriação indébita, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais.
As investigações continuam com o objetivo de esclarecer completamente o funcionamento do esquema e identificar a extensão dos prejuízos causados aos comerciantes e municípios.