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Operação desmantela esquema de 'supermaconha' vendida pela internet sob pretexto medicinal

Quadrilha usava associação e consultas virtuais para comercializar skunk com alto teor de THC

Guilherme Martins

Goiânia, GO - IG News Goiás

Publicado em 15/09/2026, 12:00
Operação desmantela esquema  de 'supermaconha' vendida pela internet sob pretexto medicinal

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (DENARC), deflagrou nesta terça-feira (15) a Operação Cannabis Faria Lima. A ação, realizada com apoio das Polícias Civis de São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Paraná, visa desarticular uma sofisticada associação criminosa especializada no tráfico interestadual de "supermaconha" (skunk e inflorescências com alto teor de THC), operada sob o falso pretexto de uso medicinal.

A investigação teve início em Goiás após os Correios apreenderem uma encomenda enviada ao município de Catalão, recheada de potes rotulados com as variedades "OG Kush" e "Strawberry Kush". O comprador revelou ter adquirido a droga em uma plataforma na internet após uma consulta médica feita por videoconferência, realizando o pagamento diretamente para a empresa envolvida.

Com o aprofundamento das diligências, a DENARC descobriu que o grupo criminoso utilizava uma associação supostamente voltada à cannabis medicinal apenas para conferir aparência de legalidade ao esquema. A plataforma digital captava clientes, indicava médicos parceiros para emitir prescrições e vendia as substâncias, enquanto a associação realizava a remessa postal das drogas. Documentos e cópias de decisões judiciais genéricas eram inseridos nas caixas na tentativa de burlar a fiscalização.

Os Correios confirmaram que a organização efetuou 2.870 remessas postais de maconha e derivados em cerca de um ano para todo o Brasil. Somente para Goiás, foram enviadas 137 encomendas distribuídas por 18 municípios — como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Catalão, Trindade e Senador Canedo. A ANVISA confirmou que nem a empresa e nem seu sócio possuíam autorização para importar, produzir ou comercializar esses produtos.

Diante dos fatos, a Justiça expediu cinco mandados de prisão temporária, 14 mandados de busca e apreensão domiciliar, bloqueio de sites e redes sociais, além do sequestro de bens e valores no montante de R$ 4 milhões. A polícia investiga o grupo pelos crimes de tráfico interestadual de drogas e associação para o tráfico.

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