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Mulher de 38 anos que se fingia de criança de 12 é condenada a 1 ano e 6 meses em regime semiaberto

Amanda Maria se passou por menina vulnerável e morou por 14 meses com família em Joinville. Ela já havia sido indiciada por falsidade ideológica em Goiânia.

Guilherme Martins

Goiânia, GO - IG News Goiás

Publicado em 20/08/2026, 20:13
Mulher de 38 anos que se fingia de criança de 12 é condenada a 1 ano e 6 meses em regime semiaberto

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, foi condenada pela Justiça de Santa Catarina por estelionato e falsa identidade após se passar por uma adolescente de 12 anos e viver durante cerca de 14 meses com uma família em Joinville, no Norte do estado. O caso ganhou repercussão após a prisão da mulher, em junho deste ano. Ela teria usado a mesma estratégia em diferentes estados, incluindo Goiás.

Segundo a sentença, Amanda criou a identidade de “Gabrielle” e passou a ser tratada como filha pela família. Durante o período em que permaneceu na casa, recebeu moradia, alimentação e outros cuidados. Para sustentar a falsa identidade, ela teria relatado histórias de abusos, problemas de saúde e abandono familiar.

A Justiça apontou que a mulher chegou a adotar comportamentos infantilizados e usar objetos associados a crianças, como chupetas e mamadeiras. A fraude foi comprovada por documentos, perícia realizada no celular apreendido, depoimentos de vítimas e testemunhas e pelo próprio relato da ré, que admitiu ter utilizado nomes e idades falsas.

Amanda foi condenada a um ano, seis meses e 10 dias de reclusão por estelionato e a quatro meses e 18 dias de detenção por falsa identidade. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime semiaberto.

A sentença também manteve a prisão preventiva e negou à mulher o direito de recorrer em liberdade. O processo tramita em segredo de Justiça.

Caso em Goiás

Antes do caso de Santa Catarina, Amanda também teria utilizado estratégia semelhante em Goiânia. Segundo o conselheiro tutelar Rondinelly-Ná, que acompanhou a ocorrência na época, a mulher chegou à capital goiana e se hospedou em hotéis próximos à Rodoviária de Goiânia.

“Ela fez a mesma coisa aqui em Goiânia. Só não ficou esse tanto de tempo e na casa de uma pessoa. Ela chegou à rodoviária e se hospedou nos hotéis próximos”, relembrou o conselheiro.

De acordo com Rondinelly-Ná, Amanda conseguiu o contato de uma pastora, que estava acompanhada de uma obreira. As duas procuraram o Conselho Tutelar por causa de uma situação envolvendo agulhas encontradas no corpo da mulher.

Na ocasião, Amanda teria afirmado que havia sido vítima de abusos durante a infância. Segundo o conselheiro, ela também apresentava agulhas pelo corpo.

A Polícia Civil de Goiás informou, à época, que a mulher havia sido presa por falsidade ideológica e posteriormente indiciada pelo mesmo crime. Como o nome de Amanda não foi divulgado pela polícia naquele momento, não foi possível localizar a defesa. O Tribunal de Justiça de Goiás informou que não encontrou processo em nome dela no sistema consultado.

Golpes em outros estados

Segundo informações reunidas no caso, Amanda também teria aplicado a mesma estratégia em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

No Paraná, ela teria enganado cerca de 12 pessoas ao se apresentar como uma menina de 13 anos e afirmar que estaria em estágio terminal de leucemia.

Em Santa Catarina, porém, o golpe teria se prolongado por mais de um ano. Para a Justiça, a mulher manteve de forma consciente a identidade fictícia com o objetivo de obter benefícios materiais, fazendo com que a família arcasse com as despesas durante o período em que ela permaneceu na residência.

A decisão também considerou os impactos emocionais provocados pelo caso, especialmente em razão do vínculo criado entre Amanda e a família durante os 14 meses de convivência.

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