Em comício com Ronaldo Caiado e Daniel Vilela no Setor Bueno, candidato à Presidência pelo PL endurece discurso
Em agenda de campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) esteve em Goiânia nesta terça-feira (6) para selar o apoio do governador Ronaldo Caiado (PSD) e do governador eleito Daniel Vilela (MDB). Durante o ato político realizado no Setor Bueno, o presidenciável discursou para aliados e apresentou propostas polêmicas voltadas ao combate ao crime e a reformas institucionais no país.
Ao lado de Caiado — que disputou o primeiro turno e ficou em quinto lugar com 2,18% dos votos —, Flávio declarou que não haveria lugar melhor para retomar a caminhada com o objetivo de "derrubar a corja do PT". O candidato defendeu abertamente a necessidade de alterar a Constituição Federal, afirmando que a mudança na Carta Magna é indispensável para "redemocratizar o país", reequilibrar os poderes e viabilizar um pacote severo de segurança pública.
O presidenciável agradeceu ao governador goiano, revelou concordar com "115%" de um documento com propostas entregue por Caiado e garantiu que pretende levar para o âmbito federal o modelo de segurança implantado em Goiás e em São Paulo, cujo governador reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também marcou presença.
Castração química, maioridade penal e 500 mil vagas em presídios
Em tom incisivo, Flávio Bolsonaro elencou pautas conservadoras e reforçou o pacote de mudanças legislativas. Entre os pontos centrais, o candidato defendeu a aprovação da redução da maioridade penal e a aplicação de castração química para condenados por estupro de mulheres e crianças.
No combate às facções criminosas, prometeu classificar organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, aumentando drasticamente as penas para chefes do crime. "Marginal vai ser preso ou neutralizado", disparou. Para comportar o aumento no fluxo de prisões decorrente das novas medidas, Flávio prometeu a criação de 500 mil novas vagas no sistema prisional brasileiro.
O candidato ressaltou que a reformulação constitucional e a aprovação desse pacote dependem do apoio da forte bancada conservadora eleita para o Senado Federal, que em Goiás conta com Gracinha Caiado e Gustavo Gayer.
Críticas ao STF e apoio de Caiado
Flávio Bolsonaro aproveitou o palanque para fazer fortes críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo federal, reiterando que o país precisa ser "redemocratizado" devido à interferência de ministros no processo eleitoral. Ao citar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou estar há quase 90 dias sem poder visitá-lo por determinação da Corte Suprema e afirmou que pretende receber a faixa presidencial das mãos dele.
Ronaldo Caiado, por sua vez, garantiu empenho total no segundo turno e pregou a anistia a envolvidos em atos políticos passados. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro liderou a votação em Goiás e obteve 47,03% dos votos válidos nacionalmente (contra 45,16% de Lula). A transferência dos cerca de 2,6 milhões de votos obtidos por Caiado é vista pela campanha do PL como decisiva para consolidar a vitória na disputa nacional.