Uma decisão proferida pela Justiça em Ação Civil Pública movida pelo SindPerícias reconheceu a prática de assédio moral institucional e condutas abusivas no âmbito da Polícia Científica do Estado de Goiás (PCIGO). A sentença de primeira instância condenou o Estado de Goiás ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos, apontando que as cobranças promovidas pela gestão ultrapassaram os limites funcionais e resultaram na exposição vexatória de peritos criminais.

Entre os pontos denunciados e reconhecidos na decisão judicial estão o uso desproporcional de grupos corporativos do WhatsApp e do sistema SEI para divulgar críticas depreciativas, desqualificar justificativas de servidores e expor profissionais publicamente. Além das mensagens, a entidade relatou reuniões internas com atritos diretos e encaminhamentos para a Corregedoria sob alegação de baixa produtividade, criando um ambiente de forte pressão psicológica.

Apesar da condenação financeira e da confirmação dos abusos administrativos, a magistrada negou o pedido liminar do sindicato para afastar o superintendente Ricardo Matos da Silva do cargo de chefia. O entendimento foi de que a destituição da função representaria uma ingerência indevida do Poder Judiciário em atribuições do Poder Executivo. Em nota, a Polícia Científica e o Estado informaram que tomaram conhecimento da sentença e que se manifestarão nos autos dentro dos prazos legais, já que a decisão cabe recurso.