Bruno revelou que o pai, Ozanan Ricardo Machado, devia cerca de R$ 60 mil a Thaliton. Acerto envolveu entrega de caminhonete, mas pendência financeira culminou no homicídio.
A Polícia Civil prendeu, na tarde desta quinta-feira (6), o quarto suspeito de envolvimento no assassinato de Thaliton Henrique Dias Machado, morto a mando do próprio pai em uma chácara na zona rural de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. No mesmo dia, o irmão da vítima, Bruno Henrique Dias, revelou novos detalhes sobre a motivação do crime, que, segundo ele, não teve relação com herança, como chegou a ser divulgado inicialmente.
Em entrevista à Record Goiás, Bruno afirmou que o pai, Ozanan Ricardo Machado, havia recebido dinheiro de Thaliton para comprar um caminhão, mas utilizou o valor para outros fins e nunca adquiriu o veículo. Posteriormente, a vítima comprou uma chácara e precisou de recursos para fazer melhorias no imóvel.
Ainda de acordo com o irmão da vítima, Thaliton cobrou a devolução do dinheiro. Ozanan então entregou uma caminhonete como parte do pagamento, mas ainda restou uma dívida de aproximadamente R$ 60 mil. Segundo Bruno, esse débito foi o verdadeiro motivo que levou ao assassinato.
O irmão também relatou que Thaliton foi morto na frente dos três filhos.
Quarto suspeito preso
O homem preso nesta quinta-feira é apontado pela investigação como o responsável por levar o pistoleiro até a chácara onde Thaliton foi executado, no dia 23 de janeiro.
Com a nova prisão, quatro pessoas são investigadas por participação no crime: o pai da vítima, Ozanan Ricardo Machado; a madrasta, Simone Viana Silva; o pistoleiro, Wanderson da Silva Sousa; e o homem preso nesta quinta-feira, suspeito de dar apoio logístico ao homicídio.
Segundo as investigações, os policiais passaram a desconfiar da participação de Ozanan após ele desaparecer da casa de um dos filhos. Quando tentou retornar ao local, o filho não permitiu sua entrada, comportamento que reforçou as suspeitas dos investigadores.
Relembre o caso
Thaliton Henrique Dias Machado foi assassinado a tiros no dia 23 de janeiro, enquanto trabalhava na horta da chácara onde morava, na zona rural de Trindade. Ele morreu ainda no local.
Inicialmente, Ozanan afirmou à polícia que o filho tinha conflitos com diversas pessoas, mas essa versão foi descartada durante a investigação.
O pai e a madrasta foram presos no fim de julho, em Senador Canedo, onde, segundo a Polícia Civil, planejavam fugir.
Já Wanderson da Silva Sousa, irmão da madrasta, confessou ter sido o autor dos disparos. Conforme a polícia, ele recebeu R$ 15 mil para executar Thaliton. Após a chegada do advogado, optou por permanecer em silêncio.
Durante a investigação, a Polícia Civil também descobriu que Ozanan teria tentado contratar outra pessoa para matar Simone e Wanderson. Para os investigadores, a intenção era eliminar testemunhas e dificultar a apuração do crime.
Com os novos depoimentos e a prisão do quarto envolvido, a Polícia Civil reforça que a principal linha de investigação aponta que o homicídio foi motivado por uma dívida financeira entre pai e filho, e não por disputa de herança, como chegou a ser cogitado no início das investigações.