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“Meu pai era meu amigo, meu tudo”, diz filha de ex-prefeito morto pelo primo após briga por jogo de cartas

José Porto de Andrade, de 88 anos, foi baleado após discussão em jogo de caixeta e morreu no hospital. Mandante é o próprio primo da vítima, de 81 anos; atirador segue foragido.

Guilherme Martins

Pontalina, GO - IG News Goiás

Publicado em 17/08/2026, 16:24
“Meu pai era meu amigo, meu tudo”, diz filha de ex-prefeito morto pelo primo após briga por jogo de cartas

A prisão de dois suspeitos de envolvimento na morte do ex-prefeito de Pontalina, no sul de Goiás, trouxe alívio e, ao mesmo tempo, novas perguntas para a família. José Porto de Andrade, de 88 anos, foi baleado no dia 21 de julho e morreu após passar 17 dias internado. Segundo a Polícia Civil, uma desavença durante um jogo de caixeta, em fevereiro deste ano, pode ter motivado o homicídio.

Um dos presos é Cloves Guimarães Andrade, de 81 anos, primo da vítima e apontado pela investigação como mandante do crime. De acordo com a polícia, ele teria pago R$ 100 mil pela execução. O segundo suspeito é apontado como intermediário no planejamento da morte. O homem que teria efetuado os disparos ainda não foi localizado.

A família conta que José Porto mantinha, há anos, o hábito de se reunir com amigos para jogar caixeta em uma fazenda da região. O filho, Paulo Cézar, afirma que o pai participava dos encontros com a mesma turma e que a família ainda tenta entender como uma desavença durante uma partida terminou em uma tragédia.

O escritório onde José trabalhava permanece praticamente intacto. Ferramentas, caixas e objetos continuam organizados da mesma maneira, como se ele ainda fosse voltar. Para os filhos, cada detalhe do ambiente reforça a ausência deixada pelo pai.

A filha, Cláudia de Andrade, morava com José e foi avisada no momento em que ele foi baleado. Ela lamenta que, segundo as investigações, uma situação considerada banal tenha resultado na morte do pai e afirma esperar que os responsáveis sejam responsabilizados.

O crime aconteceu a cerca de 300 metros da casa do ex-prefeito. Segundo a polícia, o executor teria observado a rotina de José por aproximadamente duas horas. Com o auxílio de um rádio comunicador, ele teria recebido informações de um comparsa sobre a localização da vítima antes dos disparos.

José Porto foi prefeito de Pontalina entre 1973 e 1976 e era conhecido na cidade por ter uma relação próxima com a família e por ser considerado uma pessoa bondosa. Agora, enquanto a polícia tenta localizar o suspeito apontado como executor e identificar todos os envolvidos, os familiares enfrentam o vazio deixado pela morte do patriarca.

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