A investigação que apura as circunstâncias da morte da empresária Andréia Vieira Gaspar, de 51 anos, após se submeter a procedimentos estéticos em Goiânia, ganhou contornos de forte tensão e disputa judicial. A defesa da família protocolou pedidos de afastamento do perito oficial responsável pela exumação, solicitando que novos exames sejam realizados pela Polícia Federal ou por peritos de Brasília para garantir total isenção ao caso.
Andréia, que residia na Espanha e veio à capital goiana exclusivamente para realizar cirurgias no rosto e pescoço, faleceu no dia 12 de agosto. A família aponta negligência médica, socorro tardio e ausência de UTI no hospital. A revolta dos parentes aumentou após o procedimento de exumação, ocorrido em 28 de agosto. Segundo relatos de testemunhas e do perito particular contratado pela família, Fernando Esberard, a nova autópsia durou apenas 15 minutos e foi realizada dentro do próprio caixão, no cemitério, à sombra de uma mangueira — contrariando a expectativa de transferência do corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para uma análise detalhada.
Além disso, a família acusa o perito oficial de emitir pareceres parciais e inadequados durante o procedimento, como dizer "por que não deixa ela descansar em paz?" e afirmar que "a médica legista nunca erra". A Polícia Civil de Goiás confirmou que a Corregedoria apurará a conduta e os supostos comentários do profissional. O advogado da família, Fábio Ricardo, também pediu o afastamento de outro legista, Ricardo Peixoto, e requisitou investigação sobre possível conflito de interesses na primeira necropsia. Os parentes denunciam que uma das médicas responsáveis pelo laudo inicial é sobrinha do sócio administrativo do hospital onde a cirurgia foi realizada.




