Moisés Farias, de 27 anos, foi morto dentro de casa no Jardim Novo Mundo; aliança entre traficantes cariocas e criminosos locais estruturou toda a logística
Novos desdobramentos trazidos pela Polícia Civil de Goiás revelam a teia de alianças e a divisão de tarefas por trás da morte de Moisés Farias, de 27 anos, executado no dia 28 de junho, no bairro Jardim Novo Mundo, na região Leste de Goiânia. O que parecia um homicídio isolado revelou-se uma ação minuciosamente orquestrada a mais de mil quilômetros de distância: a ordem para o assassinato partiu diretamente da cúpula de uma facção criminosa baseada no Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, a vítima atuava na revenda de entorpecentes fornecidos pelo grupo carioca na capital goiana. Após acumular um expressivo débito financeiro com a organização, Moisés passou a ser considerado alvo prioritário pelos chefes do tráfico, que decidiram decretar sua morte como forma de cobrança e demonstração de força na região.
Logística Local e Disfarce de Policiais
Para colocar o plano em prática sem levantar suspeitas, os mandantes residentes no Rio de Janeiro recrutaram uma rede de apoio em Goiânia. Cada integrante local recebeu uma função específica na engrenagem do crime: um ficou responsável pelo fornecimento das armas, outro pela guarda e ocultação da motocicleta usada na fuga, enquanto uma dupla atuou diretamente na abordagem e na execução.
Na madrugada do crime, os executores surpreenderam a vítima ao invadirem o imóvel se identificando falsamente como policiais. Sem dar qualquer chance de defesa, a dupla efetuou disparos à queima-roupa, atingindo Moisés com um tiro na cabeça. A dinâmica fria e rápida confirmou a hipótese de execução encomendada, levando a polícia a rastrear as comunicações entre os criminosos locais e os líderes no estado fluminense.
Prisões, Apreensão de Drogas e Caçada no Rio
A resposta das forças de segurança se consolidou na operação integrada entre a Polícia Civil, a Polícia Militar, a Rotam e o 30º Batalhão. Ao todo, a Justiça expediu 12 ordens judiciais — sendo sete mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão. Durante as diligências em Goiânia, cinco alvos acabaram presos e encaminhados ao Complexo de Delegacias Especializadas.
Nas buscas em imóveis ligados aos suspeitos na capital, as equipes encontraram um grande volume de entorpecentes, o que resultou na prisão em flagrante de mais duas pessoas por tráfico de drogas. Paralelamente, dois mandados de prisão foram repassados à Polícia Civil do Rio de Janeiro para capturar os chefes da facção, que já são investigados por ordenar outros assassinatos na Região Metropolitana de Goiânia.