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Ex-funcionário é investigado por desviar 54 carros de montadora em Anápolis; veículos eram desmontados em SP

Fraude em fábrica de Anápolis gerou prejuízo de R$ 8,7 milhões

Guilherme Martins

Anápolis, GO - IG News Goiás

Publicado em 30/09/2026, 07:31
Ex-funcionário é investigado por desviar 54 carros de montadora em Anápolis; veículos eram desmontados em SP

O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou uma nova etapa da Operação Sucata 0 km. A ação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens móveis, imóveis e valores financeiros nas cidades de São Paulo e São Bernardo do Campo.

As ordens judiciais, expedidas pela Vara Criminal da Comarca de Anápolis, foram executadas com o apoio da Polícia Civil e do Gaeco do Estado de São Paulo. O foco desta fase é a recuperação patrimonial e o bloqueio de ativos para ressarcir o prejuízo de R$ 8,7 milhões provocado pelo desvio de 54 veículos zero quilômetro da planta de uma montadora instalada no distrito industrial de Anápolis.

Com o avanço das apurações, o Gaeco-MPGO já ofereceu denúncia criminal contra o mentor do esquema e empresários do ramo automotivo. Eles responderão pelos crimes de associação criminosa, furto mediante fraude e abuso de confiança continuado, além de receptação qualificada no exercício de atividade comercial.

Como funcionava o esquema de desvio e desmanche

Segundo as investigações iniciadas a pedido da 2ª Promotoria de Justiça de Anápolis, o plano foi articulado por um ex-funcionário da própria fábrica entre o fim de 2023 e o início de 2025. Valendo-se do acesso e da confiança interna, ele forjava notas fiscais simulando a remessa de veículos para blindagem ou instalação de acessórios. Para enganar o sistema de controle, o suspeito chegou a criar um perfil fictício de analista de marketing e gerava solicitações falsas por e-mail.

Após saírem da fábrica goiana, os automóveis eram transportados para a Capital paulista e para a região do ABC. No estado vizinho, comerciantes de autopeças e sucatas compravam os veículos novos por valores muito abaixo da avaliação de mercado.

Os carros eram desmontados e suas peças vendidas em lojas físicas ou anunciadas abertamente em perfis de redes sociais como componentes de "carros zero quilômetro". As buscas atuais miraram oficinas e galpões onde o Ministério Público suspeita que partes desses veículos ainda estavam estocadas.

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