O relatório Prisma Fiscal, divulgado pelo Ministério da Fazenda, apontou uma redução nas estimativas do déficit primário para os próximos anos, mas confirmou que a dívida pública bruta do Brasil continuará em ritmo acelerado, devendo atingir a marca de 87,00% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. O cenário reflete a manutenção da taxa Selic no patamar elevado de 14,00% ao ano, fator apontado pela equipe econômica como o principal causador do alto custo do endividamento.
Embora o déficit previsto para 2026 tenha recuado de R$ 59,145 bilhões para R$ 52,271 bilhões, e o de 2027 tenha caído para R$ 45,350 bilhões devido ao aumento nas receitas, a pressão dos juros continua a ser repassada para o dia a dia da população na forma de inflação e restrição ao crédito.
Impacto direto no ambiente familiar
Em entrevista concedida ao portal IG News, Fernanda Borges, defensora da causa familiar, fez um contraponto entre os indicadores macroeconômicos e a realidade enfrentada dentro de casa. Com forte atuação voltada ao apoio das estruturas familiares e à proteção da infância, ela destaca que o avanço das despesas e o achatamento da renda têm forçado os pais a aumentarem a jornada de trabalho, comprometendo o acompanhamento dos filhos.
"A dívida tem diminuído o poder de compra e impactado diretamente na criação dos filhos. Hoje a maioria das famílias é chefiada por mulheres, e pai e mãe precisam trabalhar sem parar. Com isso, a educação das crianças vai sendo deixada de lado", avaliou Fernanda.
Para 2026, a receita líquida do governo central foi estimada em R$ 2,581 trilhões, enquanto as despesas devem chegar a R$ 2,625 trilhões. Para 2027, as projeções atingem R$ 2,750 trilhões em receitas e R$ 2,792 trilhões em gastos. O endividamento, porém, segue como um gargalo estrutural na economia brasileira.