IG News Goiás
Polícia

Comando Vermelho usava empresas de fachada e contas de menores para lavar dinheiro do tráfico em Goiás

Mandados foram cumpridos em Goiânia, Aparecida, Palmeiras de Goiás e Presidente Olegário

Guilherme Martins

Goiânia, GO - IG News Goiás

Publicado em 10/09/2026, 09:49
Comando Vermelho usava empresas de fachada e contas de menores para lavar dinheiro do tráfico em Goiás

O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em ação conjunta com a ROTAM, deflagrou na manhã desta quinta-feira (10) a segunda fase da Operação Cifra Vermelha. O objetivo central da investida é asfixiar o braço financeiro e lavar as finanças da facção criminosa Comando Vermelho, que atuava de forma integrada nos estados de Goiás e do Rio de Janeiro.

Ao todo, as equipes cumpriram 10 mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Palmeiras de Goiás e Presidente Olegário, no interior mineiro. A Justiça determinou o bloqueio judicial de R$ 28,1 milhões apenas nesta nova etapa, além da apreensão de veículos de luxo e bens de alto valor. Somando o patrimônio retido na primeira e na segunda fase, o montante desmantelado das garras da facção ultrapassa R$ 56,9 milhões.

As investigações do Gaeco revelaram um forte esquema de lavagem de dinheiro vindo do tráfico de drogas. O grupo criminoso abria empresas de fachada ("fantasmas") e utilizava contas bancárias registradas no nome de adolescentes para movimentar os valores sem levantar suspeita das autoridades fiscais. Em áudios e mensagens interceptados pela polícia, lideranças da facção orientavam comparsas a realizar depósitos diretamente nessas contas laranjas.

A apuração apontou ainda que o casal apontado como chefe da estrutura em Goiás se escondeu em um complexo de favelas sob domínio do Comando Vermelho no Rio de Janeiro logo após a deflagração da primeira etapa do processo. Eles foram capturados três meses depois e já respondem na Justiça. As novas ordens judiciais de hoje miram comparsas de confiança do casal e novos integrantes identificados no esquema. O MP de Minas e a Polícia Penal goiana também prestaram apoio operacional.

Mais de Polícia