Em entrevista ao IG News GO, Shouzo Abe defende políticas públicas baseadas na ciência. Condenado a quase 700 anos por mais de 30 homicídios, Tiago Henrique pode deixar a cadeia em 2044.
O psicólogo Shouzo Abe afirmou, em entrevista ao portal IG News GO, que a segurança da sociedade exige mais do que manter pessoas condenadas presas. Ao comentar o caso de Tiago Henrique Gomes da Rocha, conhecido como o Maníaco de Goiânia, o profissional defendeu que pesquisadores e especialistas sejam ouvidos na construção de políticas públicas voltadas ao tratamento e acompanhamento de pessoas com transtornos mentais.
Tiago Henrique foi preso em 2014, após confessar uma série de assassinatos cometidos em Goiânia entre 2011 e aquele ano. Ele foi condenado a quase 700 anos de prisão por mais de 30 homicídios. Apesar do tamanho da pena, a legislação brasileira estabelece limites para o tempo máximo de cumprimento de prisão, e Tiago poderá deixar a cadeia em 2044, quando completar 30 anos de reclusão.
Durante a entrevista, Shouzo Abe destacou que a prisão representa uma punição prevista em lei, mas não necessariamente resolve o problema relacionado a pessoas que apresentam transtornos e podem oferecer riscos à sociedade.
“A punição já está a ocorrer. Quando uma pessoa fica presa 30 anos numa cadeia, isso é uma grande punição”, afirmou o psicólogo.
Segundo Abe, a discussão sobre a segurança pública deve incluir estudos científicos e alternativas de tratamento e acompanhamento, sem se limitar ao encarceramento.
“Temos de dar ouvidos à ciência, temos de dar ouvidos aos profissionais e que existam políticos que construam ou deem abertura para a existência de políticas públicas voltadas até mesmo para este tipo de transtorno, para a segurança da nossa sociedade”, declarou.
O psicólogo também afirmou que a prisão perpétua e a pena de morte não representam, em sua avaliação, uma solução para crimes graves. Para ele, é necessário ampliar o debate sobre estratégias de prevenção, tratamento e proteção da população.
Caso Tiago Henrique
Aos 38 anos, Tiago Henrique Gomes da Rocha está preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. O caso continua marcado pela dor dos familiares das vítimas e pelo impacto dos crimes que aterrorizaram Goiânia entre 2011 e 2014.